

Artigo | *Celestino Oscar Loro
No cenário atual, é crucial direcionar nossa atenção para o sistema educacional brasileiro, considerando tanto suas adversidades quanto as possíveis resoluções para os problemas que enfrentamos.
No primeiro plano, é inegável que a educação no Brasil se depare com desafios substanciais. Antes mesmo da pandemia, já estávamos lidando com problemas estruturais que se agravaram com o fechamento prolongado das escolas. O impacto dessa crise na aprendizagem dos alunos, especialmente nos mais vulneráveis, é alarmante e exige uma abordagem eficaz.
Melhorar a educação básica é uma prioridade indiscutível. Devemos compreender que a solução para os problemas educacionais não se resume à simples alocação de recursos financeiros, uma demanda constante. Surpreendentemente, os custos do sistema público de ensino são de três a cinco vezes maiores do que os do setor privado, o que nos leva a concluir que dinheiro não é obstáculo. Além disso, muitas vezes temos escolas próximas umas das outras que poderiam otimizar recursos.
Apesar de gastarmos mais em educação do que países como a Coreia do Sul, nossos resultados não se comparam a essa nação referência em educação. Essa disparidade nos força a reavaliar nossas políticas e estratégias educacionais, promovendo uma mudança substancial no sistema. Basta observar rankings globais, como o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que demonstra uma estagnação desde 2009 e um desempenho abaixo da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
É perturbador notar que apesar das promessas feitas durante as campanhas eleitorais, os problemas persistem ano após ano, governos após governos. Questões como a formação integrada dos profissionais da educação, a instabilidade das políticas educacionais e a interferência política nos órgãos de educação afetam diretamente a qualidade do ensino.
Além disso, a divisão enraizada em nossa sociedade entre ensino público e privado precisa ser superada. O compromisso com a excelência deve ser central, independentemente da origem da instituição. Devemos considerar todas as opções, incluindo a compra de vagas em escolas privadas para suprir as deficiências do ensino público, de maneira colaborativa e aberta.
Somente com essa mentalidade cooperativa poderemos oferecer oportunidades iguais a todos os estudantes e avançar em direção a um futuro melhor para o nosso País.
Outras questões preocupantes incluem o número significativo de crianças fora das creches e a falta de direcionamento claro para a educação nacional, exemplificada pela suspensão da implementação do novo Ensino Médio.
Considerar a gestão por resultados como uma ferramenta eficaz para melhorar o desempenho da educação é algo que defendemos, mas a realidade mostra que isso está distante da maioria das escolas. Avaliações contínuas, formação de professores e gestão baseada em dados pode fazer a diferença na qualidade da educação, mas a cooperação entre todas as esferas de governo, a sociedade e o sistema “S” é essencial para o sucesso dessas iniciativas.
Precisamos agir com determinação e responsabilidade para enfrentar esses desafios e garantir um futuro melhor para nossos alunos e para o Brasil como um todo. A perda de talentos para outros países, agravada pelo trabalho remoto, é prejudicial ao nosso potencial de crescimento e desenvolvimento. Devemos reverter essa tendência, criando um ambiente que valorize e estimule a educação, oferecendo oportunidades a todos os cidadãos brasileiros.
Somente unidos e comprometidos com a educação de qualidade conseguiremos superar esses problemas e alcançar um futuro mais promissor para o Brasil.
*Presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias)
Artigo publicado originalmente no caderno +Serra/Jornal Pioneiro e ZERO HORA
