

Artigo | Por CIC Jovem
Em um mundo onde as demandas profissionais estão cada vez mais intensas, encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é essencial para a saúde mental e qualidade de vida. Esse foi o tema abordado no podcast produzido pela CIC Jovem, diretoria da CIC Caxias, intitulado “Equilíbrio entre Vida Profissional e Pessoal”.
A discussão foi motivada pelo aumento expressivo na busca por atendimento voltada para a saúde mental dos colaborados e pelos investimentos de empresas frente a esse tema, muitas vezes relacionado ao estresse.
A História e o impacto da tecnologia
No final do século XIX, para descrever a exaustão física e mental associada ao ritmo acelerado da Revolução Industrial, que marcava a época pela urbanização e mecanização do trabalho a “neurastenia” começou a ser discutida. O termo foi usado para descrever sintomas como fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração, refletindo os impactos do avanço tecnológico e do aumento das pressões no trabalho. Assim, a neurastenia simbolizou o estresse da época, semelhante ao que o Burnout representa hoje. A substituição de processos manuais por automação no século XX prometeu reduzir a carga de trabalho. Contudo, a aceleração da globalização e a cultura de alta performance criaram um ciclo onde se espera mais produtividade em menos tempo. Esse paradoxo ilustra como avanços tecnológicos podem tanto facilitar quanto dificultar a busca pelo equilíbrio.
Na Era da Informação, a introdução de tecnologias como smartphones e ferramentas de comunicação instantânea criou uma nova dinâmica, eliminando as barreiras tradicionais entre trabalho e vida pessoal.
Ambas as condições têm em comum o impacto do avanço tecnológico na intensificação do ritmo de vida e na dissolução das fronteiras entre trabalho e descanso, destacando o papel da tecnologia na exacerbação do estresse e na necessidade de estratégias para equilibrar saúde e desempenho.
O papel de empresas e indivíduos
Historicamente, reformas significativas só ocorreram com esforços conjuntos de diferentes setores. Na contemporaneidade, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal também exige colaboração:
O papel das empresas (Por prevenção jurídica, prevenindo presentismo – presença física sem produtividade e absenteísmo – ausência do colaborador no local de trabalho).
Podem adotar estratégias como:
O papel dos trabalhadores
Os colaboradores também precisam assumir um papel ativo no cuidado de sua saúde mental:
O tratamento do cansaço relacionado ao trabalho, como descrito pelo médico do trabalho Dionatan, está alinhado com as recomendações de diversas pesquisas científicas. A fadiga crônica e o esgotamento mental são frequentemente associados à hiperconectividade e à falta de pausas adequadas, o que pode evoluir para transtornos mais graves, como a ansiedade, a depressão e até o Burnout.
A Teoria da Recuperação (Sonnentag & Fritz, 2015) sugere que atividades que promovem o distanciamento psicológico do trabalho, como hobbies, relacionamentos interpessoais e exercícios físicos, ajudam a restaurar os recursos energéticos do indivíduo. Além disso, a prática de atividades que proporcionam prazer e aprendizado, como novos hobbies, estimula a neuroplasticidade e reduz o impacto do estresse crônico.
Pesquisas no campo da neurociência (Kabat-Zinn, 1990; Sapolsky, 2004) também reforçam que a hiperconectividade e a exposição constante a notificações tecnológicas aumentam os níveis de cortisol, um hormônio relacionado ao estresse. O excesso de estímulos digitais é associado à dificuldade de relaxamento e ao aumento da ansiedade. Por isso, períodos de desconexão digital, como a adoção de intervalos regulares para desconectar-se completamente de dispositivos, são cruciais para a prevenção de transtornos mentais.
O incentivo ao desligamento diário das tecnologias não é apenas uma prática preventiva, mas também uma estratégia de promoção da saúde mental a longo prazo!
Assim como a sociedade aprendeu a lidar com os impactos da industrialização, é possível criar novas soluções para os desafios modernos. A chave está na conscientização, educação e na valorização do bem-estar como uma prioridade coletiva. Em um mundo globalizado, a busca pelo equilíbrio não é apenas uma necessidade individual, mas um caminho para sociedades mais saudáveis e produtivas.
A construção de um futuro mais saudável e produtivo está em nossas mãos, e a CIC Jovem, por meio de iniciativas como este podcast, desempenha um papel fundamental nesse processo, inspirando novas perspectivas e soluções para os desafios do mundo moderno. A responsabilidade pela nossa saúde mental e bem-estar não é apenas uma escolha individual, mas um movimento coletivo que pode transformar a sociedade.
Artigo por Ana Paula de Almeida Souza, responsável pela Gestão do Portfólio do Negócio Reposição da Vertical Montadora da Randoncorp, Mateus Darol, consultor de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) na Irapuru, Operador Logístico, ambos membros da CIC Jovem, e os convidados do Podcast “Equilíbrio entre vida profissional e pessoal” Bianca Zanesi, Diretora de RH na Vitivinícola Jolimont, e Dionatan Vargas Colombo, Médico Coordenador do PCMSO das empresas Marcopolo.