

Nem sempre o G é lembrado com a devida importância dentro da agenda ESG. A governança é uma das dimensões mais importantes, a qual abrange políticas e processos utilizados pelas empresas para gerenciar seus negócios e garantir a transparência e a responsabilidade na tomada de decisões mais conscientes e responsáveis em relação a questões ambientais e sociais, além de atuar com ética e transparência. Isso pode ajudar a reduzir a exposição a riscos legais, financeiros e de reputação, além de aumentar a confiança e a satisfação de investidores e clientes.
Há uma série de passos para impulsionar o avanço da governança no ESG, responsável pela gestão de uma companhia ou negócio, seus valores, desempenho financeiro e seu futuro. As métricas são o norte para compreender e direcionar decisões e planos de ação. Recentemente, um instrumento que ganhou atenção no contexto da governança corporativa com foco em ESG foi o Economic Dimension Score (EDS), desenvolvido pelo S&P Dow Jones Indices e pela gestora de ativos RobecoSAM.
O EDS avalia o desempenho da governança corporativa das empresas, incluindo indicadores de qualidade de seus sistemas de gestão, bem como quanto a sua capacidade de gerenciar riscos e oportunidades de longo prazo. O quadro abaixo apresenta alguns critérios que indicam uma boa governança segundo o EDS:
| Governança Corporativa | Estrutura do Conselho, Diversidade, Efetividade, Experiência, Posição Acionária dos Adminstradores |
| Código de Conduta | Código de Conduta, Corrupação e Suborno, Sistemas e Práticas de Compliance |
| Gestão de Riscos e Crises | Governança de Riscos e Crises, Análise de Riscos Emergentes |
| Gestão da Cadeia de Suprimentos | Código de Conduta dos Fornecedores, Integração ESG na Cadeia de Suprimentos. |
| Estratégia Tributaria | Relatórios de Gestão Fiscal, Governança Fiscal. |
| Influencia Politica | Avaliação de Impacto e Contribuições |

O principal objetivo da maioria das empresas é maximizar o seu valor de mercado a longo prazo. Dessa forma, o seu desempenho econômico se refletirá pela lucratividade alcançada, medido em termos de eficácia operacional, eficiência e produtividade.
Investidores utilizam alguns indicadores-chave de desempenho (KPIs) – tais como o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), o retorno sobre os ativos (ROA) e o valor econômico adicionado (EVA) – para melhor avaliar os riscos e retornos associados a seus investimentos.
Na atualidade, a credibilidade junto a investidores é conquistada para além do desempenho econômico, a partir da quantificação do valor intangível adicionado por uma atuação ambientalmente correta, socialmente responsável e com a adoção de políticas robustas de governança.
Se o ESG colocou luz sobre os aspectos ambientais e sociais, não se deve deixar de reconhecer o papel fundamental exercido pela governança no cenário corporativo, podemos simbolizar com uma equação “ES + G”.
As empresas que adotarem práticas superiores de governança e as divulgarem de maneira adequada estarão aptas a impulsionar sua reputação, alcançar maior valor de sua marca e estarem prontas a acessar linhas especiais de financiamento.
O Fórum Econômico Mundial, dentro da perspectiva do capitalismo de stakeholders, define que “colocar em prática uma visão mais abrangente começa com conselhos que podem ver, ouvir, apreciar e a validar cuidadosamente as necessidade de vários constituintes. A liderança habilidosa e compartilhada do conselho pode ajudar a empresa a superar o pensamento míope e ampliar sua visão para o benefício de todos”.
O custo da má governança dentro do espectro ESG pode comprometer a credibilidade, a confiança e a reputação de uma corporação.
Por isso, as empresas que buscam uma atuação sustentável e responsável devem estar atentas às demandas do mercado e às expectativas de seus stakeholders. É essencial investir em políticas e práticas de governança adequadas, que promovam a transparência, a ética e a responsabilidade em todas as áreas de atuação da empresa. Somente assim, as companhias poderão minimizar os riscos e construir uma imagem positiva e confiável, que agregue valor ao negócio a longo prazo.
Fabiane Mafezzoni, Engenheira Química e de Segurança do Trabalho. Sócia-proprietária da empresa Intelligentsia EHS – Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, e Diretora de ESG – Environmental, Social & Governance – da CIC Caxias
