

O município de Caxias do Sul é o maior produtor de hortifrutigranjeiros do Estado. E tem potencial para protagonizar uma produção gaúcha ambientalmente sustentável de qualidade única para atender o mercado brasileiro, e até mesmo internacional. Afinal, quem nunca comeu uma uva, um pêssego ou uma maçã e se impressionou com o sabor e doçura que só são possíveis com o frio da Serra Gaúcha?
Uma pequena parte da atividade agrícola caxiense está em ambientes controlados (estufas ou pomares cobertos), enquanto todo o restante fica completamente exposto às condições atmosféricas: temperatura do ar, umidade, vento, chuva, temperatura do solo, radiação solar, além de tantas outras pragas e doenças comuns em um país tropical.
Para esta empresa à céu aberto, é impossível controlar os fatores atmosféricos. Por isso, o monitoramento das condições climáticas é medida adequada para decisões de manejos assertivas que irão minimizar as perdas de insumos, combustível, água, ajudar a equilibrar o preço de mercado e melhorar a qualidade do alimento, intuito este que vai ao encontro dos parâmetros de sustentabilidade e de segurança alimentar.
A título de exemplo – para facilitar a compreensão – a uva ocupa 3.741 hectares de área cultivada na cidade e pode ser gravemente prejudicada pela geada que congela e mata os brotos que, por consequência, deixam de produzir a uva.
Na hipótese de monitoramento climático e mapeamento de potencial geada, há produtos naturais (os “bioinsumos“ com aminoácidos) que podem ser aplicados em momento anterior ao evento de estresse previsto. A partir desta aplicação, a planta tem tempo para se mobilizar e preparar suas próprias reservas para lidar com a dificuldade e se desenvolver como se estivesse em condições normais. O produtor também poderá avaliar se a temperatura do solo ou o ponto de orvalho estão próximos a 0º, que são informações ainda mais assertivas para decidir acionar o anti-geada ou outra medida.
Significa dizer, em suma, que o acesso a dados precisos ajuda a antecipar condições climáticas adversas, planejar com mais eficiência o uso de recursos, proteger suas culturas e, assim, otimizar a produção.
Afinal, a exposição indiscriminada da planta às condições adversas de clima pode resultar em episódios como aquele atípico vivenciado em Caxias do Sul, quando em virtude das perdas expressivas na safra 2023/2024 e da consequente escassez de uva, os consumidores encontraram o produto com um aumento significativo de até 50% no preço.
Para obter essas informações essenciais e estratégicas – temperatura, velocidade e direção do vento, pressão atmosférica, etc. – os produtores têm se utilizado das “estações meteorológicas” que são instaladas dentro da propriedade ou nas comunidades para coleta diária de dados climáticos precisos.

As estações meteorológicas (foto acima) são um conjunto de sensores que medem as variáveis atmosféricas citadas acima. Dentre os instrumentos, pode ser observado o termômetro, que mede a temperatura; o anemômetro, que avalia a velocidade e direção do vento; o pluviômetro, que registra a quantidade de chuva; o barômetro, que mede a pressão atmosférica; o sensor de solo, que mede a umidade, temperatura e EC do solo e o sensor de molhamento foliar, que mede a temperatura e umidade presente na folha.
Por este motivo, as estações meteorológicas são compreendidas como bússolas que guiam os agricultores diante do clima imprevisível. Uma ferramenta objetiva e prática para complementar o conhecimento do agricultor sobre o microclima e solo de sua propriedade.
Na Vinícola Jolimont situada no município de Canela, o responsável Eng. Agro. Leandro Venturin relata que cancelou dois tratamentos do cronograma previsto porque a estação meteorológica indicava a ausência de condições favoráveis à proliferação de doenças. Com as decisões mais assertivas de tratamentos com as previsões de chuvas e de condições de doenças, Leandro testemunhou uma economia de até 40% em custos de insumos nos tratamentos. Também puderam decidir melhor as colheitas ao observar a pressão atmosférica que indica a chegada de chuva, permitindo assim salvar colheitas antes da chuva e em outros momentos manter a fruta por mais tempo na planta para ganhar qualidade.
Constata-se que muitos municípios da Serra Gaúcha já tiveram ou possuem iniciativas de leituras climáticas (ou seja, a interpretação dos dados oriundos das estações meteorológicas), porém muitos destes projetos não envolvem colocar a informação no dia a dia do agricultor através de alertas e fácil acesso na palma da mão.

Portanto, promover projetos de inteligência climática no município e disseminar os dados delas oriundos é um compromisso com o desenvolvimento agrícola e com a sustentabilidade ambiental que pode favorecer a região de Caxias do Sul, ampliando o olhar atento do produtor rural e fornecendo informações que permitem uma tomada de decisão mais informada e assertiva.
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Autoria: Gabriela Guazelli, advogada especializada em Direito e Economia do Agronegócio, Diretora de Agronegócios da CIC Caxias, e Mário Apollo Brito, cofundador e líder comercial na ELYSIOS, especialista em implementação de tecnologias agrícolas.
