

Por CIC Jovem – CIC Caxias
O ano de 2024 ficará marcado como um período desafiador para o Rio Grande do Sul, que enfrentou a maior catástrofe de sua história. Este desastre foi impulsionado pelas mudanças climáticas, o fenômeno El Niño, um bloqueio atmosférico e a umidade do oceano, uma combinação de eventos extremos que exigiram ações imediatas.
A cidade como parte do ecossistema
Muitas vezes, consideramos a natureza como algo separado do espaço urbano, mas a verdade é tudo integra o ecossistema. Adotar um olhar sistêmico sobre ele é essencial para o planejamento. Quando a infraestrutura urbana entra em colapso, colapsam também setores como saúde, transporte e habitação, gerando impactos sociais, econômicos e ambientais.
Para mitigar esses efeitos, precisamos de um planejamento urbano robusto e de equipes multidisciplinares com arquitetos, urbanistas, engenheiros, biólogos, hidrólogos, e tão importante quanto, a população, já que as decisões do agora vão ditar os futuros das cidades.
Planejamento e resiliência urbana
Quando falamos de urbanismo, falamos do tripé territorial, econômico e social. Essa visão foi destacada pelo arquiteto e urbanista André Melati, que enfatiza que não há mudanças no ambiente urbano sem reflexos diretos na sociedade e na economia. Pensar o planejamento a longo prazo, entendendo o contexto histórico das cidades, é crucial. Já que muitas localidades como Santa Tereza e Muçum, foram construídas ao longo de rios que outrora eram importantes hidrovias.
Estamos vivendo uma tendência de estabilização no crescimento populacional, mudando o paradigma de como devemos pensar as nossas cidades. Melati faz uma série de questionamentos: Será que as cidades precisam ocupar espaços sensíveis? Será que precisamos expandir as áreas urbanas?
Estratégias para o futuro
A bióloga Bruna Mallmann destaca que soluções sustentáveis, como o uso de vegetação nativa, drenagem urbana e reflorestamento, são indispensáveis para tornar as cidades resilientes. Além disso, estratégias inspiradas em outras partes do mundo, podem ser implementadas para criar áreas alagáveis que integram infraestrutura verde e espaços públicos. Essa abordagem não apenas reduz os impactos climáticos, mas também promove lazer para a população.
O progresso pode — e deve — caminhar lado a lado com a preservação ambiental e a resiliência urbana. Afinal, as cidades são a essência da vida em sociedade, e cabe a nós construir um legado que respeite o equilíbrio entre natureza e desenvolvimento.
Gestão e Planejamento Urbanístico de Municípios frente a Desastres
Pela visão do Fábio Scopel Vanin, coordenador do Observatório de Direito Urbanístico e coordenador da Diretoria de Política Urbana e Infraestrutura da CIC Caxias, os prefeitos eleitos enfrentam desafios crescentes relacionados a desastres como alagamentos, enxurradas e deslizamentos, exigindo medidas técnicas, infraestrutura, gestão eficiente da defesa civil e assistência aos desabrigados.
A prevenção passa por melhorias no planejamento urbano, com destaque para o Plano Diretor, cuja regulamentação pelo Estatuto da Cidade prevê diretrizes específicas para áreas suscetíveis a desastres. Isso inclui ações como a preservação de áreas verdes e iniciativas de “cidades esponja” para reduzir a impermeabilização do solo.
Na gestão urbanística, defende-se um modelo mais ativo, com os municípios assumindo um papel programador, coordenando intervenções no território e promovendo parcerias público-privadas. Essa abordagem substitui a tradicional postura passiva de análise caso a caso e fiscalização reativa.
A combinação de planejamento estratégico e gestão proativa é essencial para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a resiliência das cidades frente aos desastres naturais.
Artigo por Helena Marcon, membro da CIC Jovem, e os convidados do Podcast “O papel do urbanismo na restauração de cidades após a crise climática no RS” André Melati, Arquiteto e Urbanista, Mestre e Doutorando em Planejamento Urbano e Regional; Bruna Mallmann, Bióloga e Fábio Scopel Vanin, coordenador do Observatório de Direito Urbanístico (UCS/FAPERGS) e coordenador da Diretoria de Política Urbana e Infraestrutura da CIC Caxias.
OUÇA O PODCAST: O papel do urbanismo na restauração de cidades após a crise climática no RS