

Por CIC Jovem | CIC Caxias
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o maior desastre climático de sua história. As enchentes que tiveram início em 27 de abril causaram perdas materiais e humanas sem precedentes. Como consequência, diversas empresas tiveram suas atividades interrompidas, gerando impactos financeiros significativos, aumento do desemprego e desaceleração da economia local. Agora, com a parte mais crítica superada, o Estado está focado na reconstrução das regiões afetadas, onde pequenos negócios desempenham um papel crucial.
O episódio do JovemCast, promovido pela CIC Jovem, abordou justamente esse tema: “Retomada Econômica Pós-Calamidade no Rio Grande do Sul”. Esse assunto é especialmente relevante no atual cenário, pois as regiões atingidas enfrentam desafios enormes para se reerguer após os desastres naturais que impactaram profundamente a economia e a vida de milhares de pessoas. Sob a mediação de Cleber Bossle, diretor da CIC Jovem, especialistas de diferentes áreas compartilharam suas experiências, opiniões e soluções para acelerar a recuperação econômica do estado.
Entre os especialistas, Joarez Piccinini, diretor de Economia e Estatística da CIC Caxias e diretor superintendente de Serviços Financeiros e Digitais da Randoncorp, destacou que os impactos do desastre vão muito além das regiões diretamente atingidas. “Mesmo indústrias que não foram estruturalmente afetadas, como na região da Grande Porto Alegre, sentiram os efeitos no acesso à matéria-prima, na logística e no fornecimento de produtos, gerando reflexos na economia nacional”, afirmou. Segundo ele, a chave para a recuperação está no alinhamento entre governos, entidades e a sociedade, que tem demonstrado uma força significativa. Gustavo Ângelo Rech, gerente regional do Sebrae Serra Gaúcha, reforçou a importância da sintonia entre todos os elos da cadeia econômica para garantir a eficácia dessas ações.
Regina Genari, especialista em finanças à frente da Envel Contabilidade, apontou a necessidade de planos emergenciais que contemplem a reconstrução a curto, médio e longo prazo. “As empresas precisam olhar mais para seu negócio, para o que faz mais sentido para esse momento, quais as linhas de financiamento que estão disponíveis, o que é possível gerir dentro do seu caixa, verificar o que está disponível de prorrogação de impostos tanto municipal, estadual, federal” reforça ela.
Joarez explica que há dois grandes impactos, sobre o aspecto econômico, decorrentes das enchentes. O primeiro é o impacto no PIB, uma vez que atividades produtivas foram interrompidas ou destruídas, comprometendo a geração de riqueza durante o período. O segundo é a perda patrimonial, com a desvalorização de imóveis em áreas alagadas. Reforça ele “ Se a reconstrução do nosso estado for bem articulada a reconstrução vai gerar ativação do PIB, pois começa a gerar atividade econômica e por isso a importância da chegada de recursos financeiros”.
A exemplo e diante desse cenário o Sebrae RS juntamente com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul realizou uma pesquisa com mais de 16 mil empresas para entender os principais impactos para entender para onde direcionar os recursos obtidos.
No Podcast, Gustavo trouxe os dados obtidos até o momento da gravação onde as três principais demandas que essas empresas teriam para retomar as atividades é o acesso a crédito, seguido por postergação de impostos (ambas indo ao encontro com o que trouxe o Joarez) e por terceiro renegociação de créditos.
Para a construção do artigo, Gustavo ainda trouxe outros resultados que revelaram que 90% dos entrevistados foram afetados de alguma maneira pelos eventos climáticos. Destes, 36% relataram danos em parte de suas estruturas, enquanto 28% não sofreram danos estruturais, mas enfrentaram paralisações devido à ausência de colaboradores, escassez de matéria-prima, dificuldades de acesso ao local de trabalho, entre outros obstáculos. Adicionalmente, 26% indicaram a completa destruição de suas instalações. Apenas 10% dos entrevistados afirmaram não terem sido impactados e conseguiram manter suas operações normalmente. Esses dados destacam a gravidade dos efeitos climáticos na economia local e reforçam a necessidade de iniciativas de reconstrução para ajudar as pequenas empresas a se recuperarem e manterem suas operações.
Além de destacar os desafios enfrentados pelos empreendedores, o Sebrae RS lançou o Programa “Juntos, a Gente Supera” para o Rio Grande do Sul. O Pacote de medidas prevê investimentos na ordem de R$ 102 milhões em ações no Programa de Recuperação Emergencial para o estado. O plano de ação tem como fundamento o diagnóstico da situação e o entendimento das necessidades da região. A partir deste levantamento, todo o trabalho será executado em três frentes: sobrevivência, com foco no mercado e na gestão do negócio; operacionalização, com a reconstrução do acesso a serviços financeiros; e no desenvolvimento da governança dos territórios.
Outro ponto relevante é a necessidade de apoio financeiro direto. Regina Genari e Joarez enfatizam que muitas empresas não conseguem pagar seus funcionários, especialmente aquelas que perderam seus registros e documentações. “Precisamos de ações mais firmes, como auxílios a fundo perdido, para ajudar essas empresas a se manterem”, concordam eles.
A reconstrução do Rio Grande do Sul exige COLABORAÇÃO, CONEXÃO E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ENTRE GOVERNOS, ENTIDADES E SOCIEDADE. A partir desses alinhamentos o estado pode não apenas se reerguer, mas também criar bases mais sólidas para um crescimento sustentável, resiliente, duradouro. Atraente e de retenção de empresas e talentos.
Artigo por Ana Paula de Almeida Souza, membro da CIC Jovem, diretor na CIC Jovem e coordenador do Projeto Miniempresa, Cleber Bossle, e os convidados do Podcast “Retomada econômica pós calamidade no RS” , Joarez Piccinini, diretor de Economia e Estatística da CIC Caxias e diretor superintendente de Serviços Financeiros e Digitais da Randoncorp, Gustavo Ângelo Rech, gerente regional/Sebrae Serra Gaúcha, e Regina Genari, especialista em finanças à frente da Envel Contabilidade.