


O líder moderno, além de dominar as ferramentas de gestão, precisa investir em um profundo conhecimento do perfil das pessoas que lideram. Não se trata apenas de ser mais empático ou comunicativo, mas de dominar a arte do autoconhecimento e do conhecimento mútuo. Essa introdução dá o tom da palestra proferida pelo especialista em desenvolvimento humano Angelo Longhi, diretor da Maturitha Desenvolvimento Humano e Empresarial, mestre em coaching pela Florida Christian University (EUA), no último Café com Informação de 2024, realizado pelo Conselho da Empresária da CIC Caxias.
Confira mais nas questões abaixo respondidas por Longhi, que enfatiza o perfil do líder do futuro como aquele que domina a arte de conectar pessoas e potencializar resultados.
CONTROLMAIS – Angelo, na sua palestra para o público do Café com Informação, realizado pelo Conselho da Empresária da CIC Caxias, você abordou o tema “Times de Alta Performance: Neurociência e Inteligência Emocional para Líderes Modernos”. Nesse contexto, qual é o grande diferencial que as lideranças precisam ter para que alcancem esse objetivo com suas equipes?
Angelo Longhi – O momento da humanidade mudou demais nos últimos anos, e fica evidente que conhecer o “funcionamento” das pessoas que lideramos se torna cada vez mais essencial. Os fatores motivacionais, os interesses dos indivíduos, o que se valoriza, os sonhos e metas, tudo está diferente. A liderança moderna tem que ter este conhecimento, o desafio agora é passar da regra de ouro que diz “faça ao outro o que você gostaria que lhe fizessem”, para a regra de platina: “FAÇA AO OUTRO O QUE ELE NECESSITA QUE SEJA FEITO”. Se o líder tratar a seus liderados da mesma forma, favorecerá alguns e não chegará a liderar outros. Pois as pessoas são diferentes. O líder moderno conhece a si mesmo, conhece o outro, sabe comunicar, motivar e orientar como o liderado precisa ser. É um desafio sim, mas a neurociência tem nos ajudado a dar respostas para estas demandas.
Um grande líder moderno na área do esporte é Josep Guardiola. Ele revela em um de seus livros que nos clubes que treina, não há mais momentos motivacionais para todos, mas sim o conhecimento profundo e neurocientífico de cada atleta. É o próprio Guardiola que faz a fala motivacional um a um, conforme o que cada atleta necessita.
Então, além de conhecer as ferramentas de gestão o líder moderno precisa investir neste desenvolvimento do conhecimento do perfil das pessoas. E não digo apenas em ser mais empático, comunicativo, proativo, mas de fato dominar a temática do auto e mútuo conhecimento.
CONTROLMAIS – A identificação de perfis nas equipes é importante em que sentido? Qual é o ganho?
Angelo Longhi – Temos o perfil pessoal, e a soma dos perfis pessoais dos participantes de uma equipe que forma um outro perfil, que é o perfil da equipe. Basta auferir os gastos que as empresas têm em rotatividade, com as seleções, contratações, demissões já seria o suficiente para investir pesado no perfil pessoal e de equipe. Mas vai além disso, hoje temos de ajudar a equipe a dar o seu melhor, e para isso é colocar a pessoa certa no lugar certo para fazer a coisa certa.
Inegavelmente há nas nossas empresas, colaboradores no lugar errado. Que não rendem como poderiam, pois, seu perfil é contrário a tarefa. Mas este se mantém ali, pois precisa do trabalho e da renda.
Uma identificação de perfil poderia auxiliar esse colaborador a dar o seu melhor, estar mais feliz com seu rendimento, entregar mais e a empresa ganha com isso. Na verdade, ambos ganham. Então se falarmos de diminuição de rotatividade, equipes mais eficazes, colaboradores mais realizados e produtivos, parece até que estamos falando de uma utopia, porém este é o ganho que o investimento em identificação de perfil tem favorecido.

CONTROLMAIS – Projetando o futuro, para o quê mais os líderes e gestores precisam estar atentos?
Angelo Longhi – O que vem por aí é muito positivo, sei que há uma zona cinzenta no conhecimento das pessoas, porém a ciência tem nos favorecido todo dia com novas descobertas para aprimorarmos nossa liderança.
Por exemplo, não há um treinamento onde me questionam sobre as novas gerações, como lidar com eles. A história da humanidade tem nos mostrado que sempre há uma ação e reação também no modo de vida das pessoas. O que está acontecendo de diferente é a velocidade como esta ação e reação estão acontecendo, por isso tantas gerações diferentes em tão pouco tempo.
Mas sejamos otimistas e nos perguntemos, o que temos de aprender com eles? Afinal as novas gerações são consequência/resultado do que bem ou mal as gerações mais antigas viveram. Não só aprender, mas nos corrigirmos e ensinarmos também.
Então um olhar mais positivo sobre si mesmo e sobre as situações já ajudará demais na vida e nos negócios. Focar em solução e não ficar discutindo os problemas, saber que 10% é o que nos acontece e 90% é o que fazemos com o que nos acontece, já é um grande passo para avançar. E por fim ter metas claras, bem definidas e desafiadoras. Pensar grande e não parar na dúvida.
Fotos: Denise Borges Suzin/CIC Caxias